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JPT SCARE BAND (JEFF LITRELL) - ENTREVISTA 2003  (ENTREVISTAS) escrito em terça 18 setembro 2007 15:11

jpt scare band

Por J. Antunes 

O JPT Scare Band é uma daquelas bandas lendárias que fizeram parte dos fabulosos anos 70, mas que apenas os fãs mais curiosos do estilo conhecem.

Ainda que seja tão brilhante quanto Cream, Blue Cheer, Sabbath, Hendrix, Led e outros, a banda nunca teve um lançamento oficial enquanto estava na ativa. O JPT permaneceu no underground até 1992, quando a Monster Records lançou parte do sensacional material antigo da banda. É realmente uma fantástica e curiosa história. Antes de conferir nossa entrevista com a banda (Jeff e Paul) dê uma olhada na interessante biografia deles para que possa entender ainda mais sobre o que conversamos.

 N.E.:Algumas perguntas correlacionadas foram agrupadas, por isso, não estranhe um questionamento com três ou quatro perguntas na seqüência. Jeff respondeu a todas as perguntas. Paul participou de algumas e seu nome está marcado na respectiva resposta.

 

Hey Jeff, Paul

Primeiramente, queremos agradecer por seu tempo e pela atenção que tivestes conosco. Realmente, muito obrigado!

No Brasil a JPT Scare Band não é famosa. Fale nos um pouco sobre a banda, seus membros, idade e tudo mais. Apresentem-se.

 O JPT Scare Band vem fazendo música desde 1973, logo, estamos quase a 30 anos nessa!! Continuamos fazendo música no século 21 com a formação original intacta. Existiram alguns períodos nos quais nem nos víamos, cada um fazia seu trabalho. Mesmo assim, a banda nunca terminou e sempre que podemos nós nos juntamos e tocamos, fazemos jams, e gravamos material novo. Nossa música é muito pesada e psicodélica, sempre baseada em jams com longos solos de guitarra. Na minha humilde opinião, temos um dos melhores guitarristas de todos os tempos, Terry Swope. Mas como posso saber? Tenho tocado com ele por 30 anos, logo, não sou muito objetivo em relação a isso.

 Em minhas pesquisas notei que a história do JPT é uma das mais loucas que já ouvi. Como vocês se sentem após tantos anos no anonimato alcançar algum reconhecimento por um trabalho feito a quase 30 anos atrás?

 Na verdade, permanecemos muito obscuros. Nós assinamos um contrato com a Monster Records em 1993 e eles lançaram dois LPs em vinil e um CD com material que gravamos no período entre 1974 e 1976. A Monster é um pequeno selo independente e eles têm recursos limitados pra promoção e anúncios. De qualquer maneira, nós tivemos ótimas resenhas e algumas execuções em grandes rádios FM universitárias em Nova York. Mesmo assim a Monster nunca vendeu muitos discos e permanecemos relativamente desconhecidos. Estamos felizes com qualquer atenção que recebemos. Nos sentimos realmente ótimos por ter algum reconhecimento após todos estes anos.

 Eu pude sentir nas entrevistas que li que o JPT nunca esteve interessado de fazer da sua música um negócio. Vocês não estavam interessados em gravadoras, tours ou shows, apenas jams. Como foi esse período? Fale nos mais sobre isso.

 É importante que as pessoas entendam que, voltando ao passado, quando estávamos felizes gravando nossas jams no porão da Electric House e na sala de jantar da Stone House on Crooked Road, nós estávamos totalmente imersos em fazer música e nos divertirmos. Não tínhamos absolutamente nenhum interesse em assinar contratos com gravadoras ou fazer tours. Tivemos sorte em ter um cara (Greg Gassman) morando com a gente na Electric House e que era engenheiro de gravação. E temos um outro grande amigo (Rocky Van Rude) que tinha uma companhia de som para shows e nos deixava usar uma das mesas de mixagem e os microfones. Caso contrário, não teríamos nenhuma gravação destes tempos maravilhosos.

 Atualmente, ficaríamos contentes se assinássemos com uma gravadora e fizéssemos alguns pequenos concertos. Ainda não temos uma empresa de gerenciamento ou algo assim, por isso não temos ninguém que tente nos arrumar um contrato.

Como foi viver nos anos 70? Qual a grande diferença entre a vida naquela época e nos dias de hoje e como você se sente com seu atual “way-of-life”?

  Sentimos que somos muito, muito, afortunados de termos nascido no lugar certo e na hora certa para termos a oportunidade de viver naquela época. Posso te dizer que foi absolutamente maravilhoso ser um músico jovem nos anos 70. Eram tempos de mulheres selvagens, amor livre (free love) e revolução. Tivemos tantas bandas maravilhosas e artistas pra se ouvir. As pessoas costumavam dar festas quando saía um novo álbum do Led Zeppelin ou do Moody Blues. Todos queriam ouvir o novo álbum juntos, pela primeira vez, e realmente ouvir a MÙSICA. Naqueles tempos, parecia que íamos mudar o mundo e, talvez, tenhamos mudado mesmo. Talvez, não tanto quanto esperávamos, mas acho que mudamos um pouco, e pra melhor.

 As coisas são muito diferentes hoje em dia. Existem muito mais regras e muito mais influência do governo nas nossas vidas. Existem também muito mais doenças assustadoras que tornam difícil a prática do amor livre (free love) que era tão comum nos anos 70. Naqueles dias, herpes e AIDS ainda não tinham sido inventadas!!

 Uma questão que sempre me vem a cabeça é: “Como vocês sobreviviam?”. Vocês alugaram uma casa com Greg (que se tornou o técnico de gravação da banda), mas como faziam para pagar? Como sobreviviam se a banda era apenas uma coisa voltada pro prazer? Vocês tinham empregos tradicionais nessa época?

 Bem, uma coisa, o aluguel era muito barato e a Electric House era uma velha mansão em uma vizinhança decadente. Tinha 4 quartos, então nós 4 tinhámos que arcar com ¼ do aluguel mensalmente. Eu não me lembro exatamente quanto era, mas não era muito difícil de pagar. Eu trabalhava numa empresa de eletrônicos que atendia via correio na sala de envio, despachando rádios CB. Paul tocava numa outra banda chamada “Snarky” com alguns caras que conhecíamos e conseguia alguma grana com eles. Acho que Terry tinha um emprego de meio expediente e também tocava com alguns outros caras pra levantar uma grana. Greg estava trabalhando com Rocky fazendo o som de concertos e também fez o som de alguns filmes. O mesmo Sony TC-366 (reel to reel tape machine) que gravava todas as fabulosas jams do JPT eram usadas pra gravar todas as locações de som dos filmes “Linda Lovelace For President” e “The Last Of The Blue Rhythm Devils.” Na verdade, nesta época, todos nós trabalhávamos para Rocky como Roadies nos grandes concertos.

 Sei que a formação da banda foi algo que simplesmente aconteceu. Três amigos começaram a levar um som sem compromisso e pronto. Mas como foi o fim da banda e como era a relação entre vocês 3 até que a Moster Records os contactasse pra lançar o material antigo?

 Nós três sempre nos mantivemos como os melhores amigos. Paul mudou-se pro Colorado por volta de 1980 ou 1981 e perdemos contato por um tempo. Terry e eu colocamos algumas bandas na estrada e tocamos juntos por muitos anos com o Prisoner e Project 23. Falando nisso, tenho caixas com fitas dessas bandas nos meus arquivos junto com um pouco mais de material do JPT... material que ainda não foi lançado.

 Quando a Monster quis que assinássemos o contrato em 1993, tivemos que achar Paul para que ele pudesse assinar o papel. Ele ainda estava vivendo em Colorado e estava para vir à Kansas City visitar seus pais. Marcamos algumas horas num estúdio que gravava em 24 canais e tivemos uma alegre reunião com Paul no estúdio. Ficamos gravando a noite toda e registramos 4 boas jams em fita. Duas delas, “I’ve Been Waiting” e “Wino” estão no nosso último CD, “Past Is Prologue”. Não tocávamos juntos há muitos anos, mas a mágica ainda estava viva. A versão de “I’ve Been Waiting” no CD é o primeiro take da primeira música que gravamos durante esta reunião em 1993. Dava a sensação de que nunca havíamos nos separado. Há uma mágica que acontece quando nós três nos reunimos e tocamos. Não tenho uma boa explicação para isso.

 Como foi a reação da banda ao ver fãs surgindo agora? Parece bem louco alguém lançando suas canções quase 20 anos depois de criadas e pessoas que nasceram naquela época se tornando fãs (como eu que nasci em 73).

 Antunes, foi um grande ano pra se nascer. As coisas estavam realmente acontecendo em 1973. Ficamos muito contentes que tenham pessoas jovens por ai que apreciem nossa música. Você está correto. É certamente muito maluco, mas o universo é maluco e misterioso. Eu sou totalmente místico sobre tudo isso.

 Quando vocês ouvem hoje em dia os críticos e fãs os comparando com bandas como Cream, Hendrix, Robin Trower, Blue Cheer, e tantas outras que fizeram sucesso nos anos 70 vocês se sentem pesarosos por na ocasião não terem se interessado em expor o trabalho de vocês como as bandas citadas fizeram?

 Voltando aos anos 70, toda a cena hippie cósmica ainda estava se fortalecendo. Nela aprendemos que é melhor “fazer o presente” para “viver o momento atual”. Nenhum de nós pode mudar o passado. O tempo é um rio que flui em uma só direção. O que aconteceu, aconteceu e não há nada que possamos fazer pra mudar isso. Então, não temos nenhum arrependimento. Nós estamos agradecidos por ainda estarmos todos vivos e por ainda tocarmos juntos. É muito gratificante ler as resenhas que nos comparam com Jimi Hendrix e Cream. Eu posso ouvir essas influências quando escuto as músicas.

 Paul – Sim, claro. Eu sempre gostei de tocar e de ouvir nossas coisas e fico muito chateado pelas pessoas naquela época não se darem conta disso.

 Como vocês se sentem sendo considerados do mesmo nível das maiores bandas  de rockn’roll de todos os tempos?

 É uma grande honra e nos sentimos bem em estarmos tendo agora um pouco de reconhecimento pela música que fizemos no passado.

 Paul – Bem… maravilhado por um lado e surpreso por outro. É um tipo de “volta por cima” dos dias nos quais não podíamos nem fazer um show. É muito doido. J

 Quando e porque a banda decidiu voltar à ativa?

 É difícil pra algumas pessoas entenderem, mas o JPT nunca teve uma decisão consciente de acabar e nunca tivemos uma decisão consciente de voltar. No passar dos últimos 30 anos, a banda estava meio que hibernando em vários períodos e em outros estávamos juntos e fazendo música novamente.

 Eu li que vocês estão trabalhando em um novo lançamento chamado "Jamm Vapours" desde 2001 e que seria lançado em 2003. O álbum será realmente lançado neste ano? O que vem por ai?

 Na verdade temos material novo suficiente pra produzir dois CDs de 60 minutos com o material das sessões do “Jamm Vapours”. Esperamos ter o “Jamm Vapours” lançado em 2003 mas, para ser honesto, ainda estamos trabalhando nele. “Burn In Hell,” que está no nosso último CD, “Past Is Prologue”, é um dos sons das sessões do Jamm Vapours. Agora que estamos em setembro, ainda temos que ver se teremos o novo CD lançado ainda neste ano ou só em 2004.

 Todas as músicas do JPT foram gravadas como jam, certo? Mas como era esse processo de gravação? Quero dizer, vocês tinham um tema principal antes de começarem a gravar ou vocês faziam diversos “takes” de um mesmo tema e depois escolhiam o melhor?

 A maioria das músicas do JPT foram gravadas como jams, ainda assim, nem todas elas foram criadas em jams. “It’s Too Late” do CD “Sleeping Sickness” foi uma música que Paul escreveu quando era adolescente e nós a aprendemos como uma música completa e gravamos. Nós temos uma outra versão de “It’s Too Late” que gravamos nas reuniões de 1993. “I’ve Been Waiting” existe em ao menos 3 versões. A mais antiga está no “Sleeping Sickness” e foi gravada em 1976. Era uma jam que tinha um riff e a gravamos em um ou dois takes. A versão que está em “Past Is Prologue” foi gravada em 1993 e a transformamos numa canção inteira, com longas jams e solos de guitarra maiorais, assim como os solos de baixo. Existe uma outra versão de “I’ve Been Waiting” que foi gravada durante as sessões de Jamm Vapours. Um baterista amigo nosso, Jaisson Taylor, nos sugeriu que poderia soar melhor se repetíssemos o riff ao inves de tocá-lo apenas uma vez a cada tempo. Nós tentamos e incorporamos issa na versão que estará em “Jamm Vapours”.

 No passado, nós apenas gravávamos tudo. Quando terminávamos a jam, íamos ouvir nos fones e decidir se a mixagem estava OK. Se estivesse legal deixávamos como estava, caso contrário, nós começávamos de novo e passávamos por cima da mixagem ruim. Ainda assim, Quando escuto as fitas originais (reel to reel tapes) das gravações dos anos 70, muitas delas simplesmente não tem mixagens boas o suficientes para usarmos. Nós fizemos o melhor que podíamos com o equipamento que tínhamos na época.

 E sobre as letras. Como apareciam? Teve alguma letra que surgiu durante a jam e que acabou sendo mantida na música?

 Normalmente, Terry faz as letras durante as jams. Estas letras geralmente apareciam nas capas de nossos discos. Muitas das faixas do CD “Sleeping Sickness” tem letras que vem direto do cérebro de Terry durante as jams. “I’ve Been Waiting”, “Sleeping Sickness” e “Time To Cry” foram todas gravadas nos anos 70 e apresentam letras espontâneas. No CD “Past Is Prologue”, “Jerry’s Blues” tem letras que Terry fez enquanto a tocava. 

 A versão de “I’ve Been Waiting” de 1993 (“Past Is Prologue”) Terry e eu pegamos sua letra espontânea de uns dois takes de 1976 e Terry meio que organizou-as e deu uma polimento final, por isso está mais estruturada. Você pode comparar as duas versões desta música e ver você mesmo a diferença entre a versão espontânea e a mais estruturada.

Um processo semelhante foi usado em “Burn In Hell”. As versões que temos desta música nos anos 70 não são boas o suficiente pra lancer em discos. Terry fez a letra quando grvamos esta música pela primeira vez no porão da Electric House em 1974.  Pra sessão de 1993, peguei a letra que Terry havia feito e escrevi algo como uma pequena estória de ficção científica sobre o mundo no futuro no qual a superpropulação força um bravo grupo de humanos a deixar a terra numa espaçonave apenas para ficar perdidos no espaço pra sempre. Ainda assim, algumas letras de Terry são tão perfeitas que tenho que as deixar como estão.

 “Politicians, were falling into phase.

It seems they found new ways, to slowly ease the trace

When they lied to you, did you finally try

To embrace the love, from the other side?”

 Quero dizer, estas são linhas clássicas e Terry as fez enquanto tocávamos a música em 1974.

 Das sessões de “Jamm Vapours”, tem uma jam de 11 minutos chamada “Jello” que foi uma jam totalmente livre. Terry fez a letra desta e é uma das minhas favoritas.

 Sobre Greg Gassman. Vocês ainda têm contato com ele? Nos anos 70 ele aparenta ser um quarto membro do JPT... Estou certo? Ele está envolvido no processo de gravação do material mais recente de vocês?

 Sim, ainda mantemos contato com Greg. Ela agora é PHD em filosofia e leciona numa Univesidade de Utah! Provavelmente não haveria nenhuma gravação do JPT se Greg não tivesse morado conosco na Electric House. Greg não esteve envolvido nas gravações de “Jamm Vapours”. De qualquer maneira, Paul e Terry estão prontos para graver mais material novo e eu convidei Greg pra vir a Kansas e ser nosso engenheiro de gravação novamente. Ele me escreveu e disse que adoraria fazer isso caso nós consigamos organizar as agendas para que seja no período em que ele não esteja obrigado a dar aulas na universidade.

 No retorno, ainda que tenha se mantido o mesmo “rock feeling” as músicas soam mais leves e a gravação parece limpa demais pro som de vocês. Músicas como "Wino", "Burn in Hell" e "I've been waiting" trazem o feeling dos anos 70 mas soam como as gravações dos anos 80. Sobre estas novas gravações eu senti duas principais diferenças:

Parecem ser menos espontâneas que as antigas;

O processo de gravação parece não estar condizente com o tipo de som que a banda costuma fazer.

Você sentiu isso? Concorda com esse ponto de vista?

 Se nós pudéssemos bancar uma máquina de gravação de 16 canais com microfones caros e uma mesa de som grande e extravagante no porão da Electric House em 1974, nós teríamos feito. A mesma coisa com a Stone House on Crooked Road em 1975 e 1976. Nós fizemos o melhor que podíamos com o equipamento que tínhamos.

É algo milagroso que algumas destas gravações tenham soado tão boas quanto são. Nenhum de nós, incluindo Greg, estava no melhor da forma durante a maioria destas gravações. Greg tentava mixar com headphones com a banda detonando no volume total. Ele realmente não podia ouvir se a mixagem estava muito boa e nós só podíamos verificar ouvindo depois de gravar cada take. Tudo era gravado totalmente ao vivo, logo, não tinha como voltar atrás ou corrigir erros como se faz quando se grava em gravadores multi-pista.

 Conseguimos gravar alguns sons maravilhosos e somos muito orgulhosos destes resultados. A mixagem em “Sleeping Sickness” tem a guitarra comendo todo o canal direito e você nunca vai mixer uma música assim se estiver em um estúdio com um engenheiro normal e um fantástico e caro produtor fonográfico. Mas isso é apenas um monstruoso som de guitarra e funcionou. Amo o som de guitarra de “Time To Cry”.

 Uma das coisas legais das gravações antigas é que Terry podia pegar emprestada guitarras fantástcas de nossos amigos músicos. Você pode ler sobre todas estas guitarras nas notas incluídas no CD “Sleeping Sickness”. Não é fácil nos dias de hoje colocar as mãos numa Fender Stratocaster 1954 mas, no passado, nós conhecíamos dois caras que tinham. Joe Martinez nos emprestou uma que usamos nas ravações de “Sleeping Sickness”.

 Mas tenho que dizer, parte meu coração ouvir algumas das nossas fitas originais (reel to reel tapes) aonde existem fabulosas jams que não poderão ser usadas porque a mixagem é tão ruim ou porque está tão distorcido que soa terrível. Eu tenho fitas inteiras guardadas que não são aproveitáveis porque soam horríveis.

 Nos anos 70 nossas vidas eram desestruturadas e nossa música refletia a realidade de nossa existência. Em 1993, estávamos com cerca de 40 e nossas vidas eram mais estruturadas. Nossa música naturalmente refletiu essa realidade. As músicas de “Jamm Vapours” são mais estruturadas, com mais versos e refrões. Como disse anteriormente, o tempo é um rio que flui em uma só direção. Nós evoluímos e amadurecemos com a idade. Não soaria natural ou saudável permanecer no mesmo clima musical uma vida inteira.

 Paul – Eu gostaria de saber como tirar aquele som que Gassman estava tirando, mas não sei. Não é que estejamos tentando soar como “anos 80” nós devemos é ter perdido um pouco do groove. Quanto ao fato de improvisarmos muito, nada mudou. Apenas colocamos algumas música prontas no pacote. Quase tudo que fazemos é “na hora” mesmo, com exceção de algumas idéias básicas anteriores que temos e vamos progredindo delas. Eu acredito que chegamos num ponto onde achamos que uma letra aqui e acolá, alguns acordes ganchudos podem fazer parte das nossas longas jams.

 Eu realmente gosto da sonoridade de coisas como “Acid Acetate” e “Theme From The Monsters Holiday”, mas porra! Quem sabe como nós gravamos estas coisas? Foi sorte que estas gravações tenham saído tão diretas e balanceadas como saíram. Greg fez um bom trabalho operando os botões (NE: da mesa de som). 

Esta mudança foi intencional ou apenas algo que resulta do uso de uma nova tecnologia e novos equipamentos de gravação?

E a opção para que as músicas soem menos selvagem que as antigas. O que isso representa?

Como está sendo o processo de gravação das coisas mais recentes? Vocês permanence fazendo jams e gravando ao vivo ou estão gravando cada instrumento separadamente?

Na minha opinião estamos vivendo um revival dos anos 70 e as bandas estão aprendendo a usar a nova tecnologia pra emular as sonoridades e timbres setentistas ou, até mesmo, voltar a utilizar os velhos equipamentos pra obter isso. Vocês estão buscando isso no novo material de vocês?

  Eu acho que a percepção de peso está no ouvido de quem escuta. Todas as músicas do JPT soam muito pesadas pra mim. É música extreamente psicodélica, a velha e a nova. Provavelmente há mais estrutura nas novas músicas mas sempre tem a jam e ferocidade dos longos solos de guitarra de Terry Swope. Gravamos uma jam para “Jamm Vapours” que chamamos de “A Bit Of A Jam”. É baseada num enorme e pesado riff de baixo, com 16 minutos, totalmente instrumental e é realmente, muito pesada. Ao menos na minha humilde opinião.

 Sempre ouvimos nossos fãs e sempre ouvimos eles dizerem que gostam mais da energia crua e primitiva das gravações dos anos 70. Muita gente nos disse que achou as gravações de 1993 muito polidas. Quando gravamos “Jamm Vapours” tentamos nos comprometer com uma volta ao básico mantendo uma boa qualidade de com alguns controles de mixagem.

 Nós voltamos ao porão, desta vez o porão da casa de Paul no Colorado. Parte do som das gravações dos anos 70 vinham das paredes de pedra dos porões da Electric House e da Stone House on Crooked Road. Logo, gravamos Jamm Vapours no porão de Paul com paredes de pedra. Fizemos todas as faixas ao vivo, ainda que tenhámos gravado num gravador multi-pistas digital então podemos voltar atrás e trabalhar para obter uma mixagem melhor. O baixo e a guitarra foram gravados em canais separados. A bateria foi uma Roland V que saia de uma cérebro Roland (TD-8) em estéreo em dois canais. Não tínhamos sequer um engenheiro de gravação, o que dirá um produtor. Paul ia até o Yamaha AW-4416 e apenas apertava o botão de gravar e começávamos a tocar.

 Vocês pretendem regravar algumas das músicas já lançadas? Ouvindo o material antigo vocês aproveitam velhas idéias e temas inacabados para futuras músicas?

 Eu escuto muito nosso antigo material e pego muitas idéias e temas que acho que podem ser trabalhados para se tornarem um novo material. Nós nos matemos gravando novas versões pras velhas musicas. Existem ao menos 3 versões para “I’ve Been Waiting”. Temos versões de “Wino” de 1975 e 1993. Paul me disse que ele quer gravar uma nova versão para “King Rat”. Se você ouvir as gravações de 1993, existem partes nas quais Terry trabalha num tema de guitarra de velhas músicas durante seus solos. Isso também é verdadeiro pro material de “Jamm Vapours”.

 Paul – Eu venho sugerindo que refaçamos “King Rat”, “Theme from the Monsters Holiday” e “Jerry's Blues”. Será divertido gravá-las novamente. E nós parecemos estar evoluindo com “I've Been Waiting”.Temos cerca de 5 versões até agora.

 Você falou uma vez que a Monster Records está interessada apenas no material antigo e, que em paralelo a isso, vocês estão trabalhando em material antigo da banda.(além do novo material). Como isso funciona?

A Monster Records ainda está trabalhando com o material do JPT ou agora é tudo por conta da banda?

 Nosso contrato com a Monster Records acabou há alguns anos. Logo, qualquer novo CD que apresete gravações dos anos 70 será lançado pelo nosso próprio selo ndependente, o Kung Bomar Records. Eu venho trabalhando em dois possíveis CDs com o material dos anos 70. Um está xom o nome provisório de “Echoes Of The Everland”. Irá trazer uma das melhores jams do JPT Scare Band de todos os tempos, “Theme From The Monsters Holiday.” totalmente espontânea numa performance free e instrumental de 24 minutos! Esta é da mesma sessão de “Acid Acetate Excursion”, gravada ao vivo por 2 microfones no porão de pedra da Electric House em 1974.

 Estamos levando em consideração também colocar junto um CD com jams de blues. Nós temos o suficiente pra fazer um CD inteiro com isso. É muito interessante pra lançar umas duas músicas que temos com Jerry Wood, um fantástico cantor de blues com o qual a JPT esteve em alguns shows durante 1975 e 76.

 Pelo lado da banda, quem está trabalhando nesse material antigo? Toda a banda ou vocês tem outras pessoas envolvidas?

 Paul e eu cuidamos do lado técnico, gravando e masterizando. Nós também tentamos cuidar dos negócios da Kung Bomar Inc. e tentamos fazer pequenas atividades de promoção e divulgações com as quais podemos arcar. Terry fica encarregado de escrever novas músicas e ser um dos melhores guitarristas de todos os tempos.

 Vocês sabem que as novas ferramentas (software e equipamentos) podem fazer muita coisa na edição, masterização e por ai vai. Como vocês estão usando estas facilidades no material antigo? Vocês podem nos falar um pouco mais sobre isso? O que estão fazendo em termos de edição? Que equipamentos e softwares estão usando?

 Eu tenho alguns equipamentos num rack que eu chamo de “Rack mágico” para masterizar as velhas fitas originais. Comecei com duas unidades DBX 263 (noise reduction). Estes equipamentos são incríveis eles realmente tiram bastante do chiado destas antigas fitas analógicas e se você configurar de maneira adequada não há perda das freqüências altas. O próximo passo na corrente de ganho são dois equalizadores gráficos de 15 bandas, os quais uso para captar o som geral. A maior parte do material antigo foi gravado absolutamente seco e eu costumo adicionar uma mínima dose de reverb digital. Depois passo pelo Aphex Oral Exciter Type C e mando tudo pra um gravador DAT (Digital Audio Tape). Envio as DATs para Paul e ele trabalha com seu equipamento. Seu melhor equipamento é um rack chamado “The Finalizer”, que é uma ferramenta de masterização muito cara. Ele realmente consegue colocar o material antigo soando bem e ele a usou também nas gravações de 93 e deu muito mais punch do que na mixagem original.

 Sobre os equipamentos da banda. Quais instrumentos e amplificdores vocês costumavam usar e o que usam atualmente?

 Antigamente e usava uma Ludwig de cinco peças 1963 que comprei numa casa de penhores em Kansas City. Para as seções de 1993 eu usei a batera do studio Chapman, que também era uma Ludwig. Eu tenho uma feita sob encomenda de mapple que a KC Drumworks fez pra mim mas eu usei uma bateria Roland V para as seções de “Jamm Vapours”. Seria muito caro levar minha bateria para Colorado e Paul tinhas esta Roland já instalada no seu proão. Ele tinha apenas um cérebro TD-5 então, levei o meu TD-8 comigo no avião. Comprei uma Roland V no Ebay antes de ir para me familiarizar em tocar numa bateria eletrônica.

 Paul – Eu tocava num baixo Rickenbacker 4001 feito sob encomenda com um corpo de baixo canhoto e braço e mão de baixo. É um belo baixo. Eu continuo tocando-o através de um amp Sunn Concert Bass que eu tenho desde os anos 70.

 Eu também uso um Standell MC2B pre amp em um Standell 250W. Eu ligo esse numa caixa com 2 falantes de 15" numa cabine dobrável, no formato das grandes cabines Leslie. Em shows toco com mais uma caixa de 2 falantes de 15", do mesmo estilo.

Nada de efeito apenas dois cabos saindo do baixo e entrando em cada um dos amps. Soa muita bem, eu acho.

 Eu toco o mesmo Rickenbacker atualemente, mas também toco num Ibanez com captadores EMG e um Warwick Thumb Bass em alguns shows, ou ainda num cabeçote Gallen Kruger 400RB que usei nas gravações de “Wino” eI've Been Waiting” em 1993. Ou uso um outro amp, um cabeçote Ampeg SVTIII Pro bass. É um fantástico amp com 9 12ax7's na seção de pré-amp. O som fica bem “amplo”. Eu não sei o que é, mas me parece que eu tiro o mesmo som independente do baixo que uso. Rick, Ibanez, Warwick, todos eles acabam soando como o 4001 Rick. Tantas variações que se pode tirar no som, não é?

 Quais suas bandas favoritas nos anos 70 e quais bandas recentes chamaram sua atenção?

 Os Beatles acabaram nos anos 1970, mas nós escutávamos muito esses caras na Electric House. Também costumamos ouvir muito Hendrix e Cream, Pink Floyd, Led Zeppelin, Grateful Dead, Mountain, Deep Purple, Steely Dan, Albert King, BB King e Freddie King.

 Nossa banda atual predileta é o Socialburn, de uma pequena cidade na Flórida chamada Blountstown. Estes caras são todos fãs do JPT de vez em quando usam nossas camisetas nos seus shows. Eles estão com um contrato com a Electra Records e tem tido uma boa execução ns rádios dos EUA. São ótimos compositores e sabem realmente fazer um rock pesado num estilo mais atual.

 Paul – Eu gosto de um monte: Black Sabbath, Led Zeppelin, Vanilla Fudge, Jethro Tull, Fleetwood Mac, Joe Cocker and the Grease Band, Jefferson Airplane, Mountain, Jimi Hendrix, Cream, Aorta, Mandrake Memorial, Country Joe and the Fish só pra dar alguns exemplos. Eu realmente gosto do jeito de tocar de caras como Tim Bogart, Jack Cassidy, Felix Pappalardi e Geezer Butler. Eles têm um ótimo timbre e tocam alto botando pra quebrar quando tocam.

  O JPT tem uma grande resposta no público da stonerrock.com provavelmente pelo estilo ser um "revival" dos anos 70. Você conhece alguma banda de "stoner" e gosta de alguma em especial?

 Nós nos tornamos bons amigos do Dan e Robwrong da stonerrock.com. Rob está numa banda chamada Witch Mountain que nós realmente gostamos. Estes caram tem sido legais conosco e têm vendido alguns dos nossos CDs no site da Meteor City.

 Paul – Eu realmente não escuto muita coisa no radio e escuto principalmente muita música barroca. Eu suponho que não tenha pensado sobre isso… realmente nunca pensei.

 Vocês sabem algo sobre a música brasileira ou sobre o Brasil?

  Adoramos música brasileira com estas maravilhosas linhas de metais e os fabulosos ritmos latinos. Sabemos que no Brasil vocês falam português e não espanhol q que o Brasil é a nação dominante na América do Sul. Estamos muito contentesde saber que as pessoas no Brasil apreciam nossa música.

  Paul – Não exatamente, eu até curto algo mais “caribenho”, mas não tenho certeza do que é tocado no Brasil. Você pode me mandar nomes e alguns bootlegs dos seus favoritos?

  Cara, muito obrigado por sua atenção e nós do Planeta Stoner desejamos mais 30 anos para a banda dentro do fantástico rock'n'roll que vocês sabem fazer. E quem sabe um dia vocês vêm pro Brasil em férias e resolvem nos dar a oportunidade de vê-los ao vivo. Dê uma mensagem final para os fãs Brasileiros.

  Façam o presente. Vivam o momento atual. Sempre acreditem em vocês e nunca desistam. Nunca se rendam.

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