Por J. Antunes
Dentro de um estilo que cresceu a sombra de seus ícones (Black Sabbath, Kyuss, Monster Magnet e Fu Manchu) o Stoner passou por uma fase aonde as bandas acreditavam que o grande objetivo era soar como as precursoras do movimento, o que até certo ponto, é extremamente normal em todo movimento musical. Surge um novo estilo e toneladas de bandas vêm atrás. Foi assim durante toda a história da música do primeiro rock, passando pelo punk e chegando a mais recente onda do New Metal.
Este processo soa imensamente lógico, quase matemático.
Com o passar do tempo, as influências vão sendo adicionadas e novos elementos vão se somando ao som. E é exatamente isso que está acontecendo com a cena Stoner atual.
Felizmente, a cada ano estamos constatando que o estilo cresce e se diversifica. As incontáveis bandas que soavam como Sabbath-Cover e Kyuss-cover estão dando lugar a uma infinidade de bandas que começa a buscar sonoridades e referências um pouco além, ou talvez muito além.
Bandas como o Big Elf que apesar do peso mantém uma referência explícita aos Beatles (fase-psicodélica), 35007 que adiciona elementos eletrônicos (nem adianta olhar torto – escute antes), Abramis Brama com suas percurssões setentistas, Mystyk Krewe of Clearlight com seu stoner-jazz-psych, 500 ft. of Pipe que é bem stoner mas com referências que variam a cada música e uma infinidade de outras bandas (veja o Box de dicas abaixo) estão fazendo com que o Stoner evolua como estilo e não caia no marasmo.
Claro que em geral, percebem-se algumas características em comum (como a referência constante à música feita no final da década de 60 ao meio da década de 70) mas o mais importante é que se mantenha um viés de originalidade. É claro que originalidade não é a palavra mais adequada pra se usar num estilo em que o grande foco é o revival mas, todos sabemos, que ainda assim, é extremamente possível soar original.
Uma das grandes bandas responsáveis por uma linha de mudança e, atualmente reconhecida mundialmente, é o Queens of the Stone Age que conseguiu introduzir de maneira brilhante a veia pop e radiofônica no Stoner. Apesar de acreditar que os frutos de uma veia mais pop pode ser algo que afetará o estilo de maneira negativa, não se pode negar a genialidade com que isso foi feito dentro de “Songs for the Deaf”. Na verdade o grande problema disso está no fator “genialidade”. Nem todos serão geniais o suficiente pra manter o bom nível de um futuro “Stoner-Pop”.
Um exemplo “fictício” é o último trabalho do Foo Fighters que, por motivos óbvios, sofreu influência do QOTSA e corre o sério risco de ser associado ao estilo pela imprensa comercial mundial.
Essa é a evolução natural da história da música e, com certeza, essa é e sempre será a receita da longevidade do bom rock’n’roll. Fases boas, outras nem tanto. Mas, afinal, o que seria uma “boa fase” se não houvesse a ruim pra precedê-la?
Atualmente tenho tido um grande prazer em escutar bandas classificadas como Stoner nas quais uma em nada se parece com a outra.
A cena Stoner parece estar absorvendo tudo de bom que o rock’n’roll tem feito em suas mais abrangentes variações. Do peso extremo ao acústico, do rock’n’roll direto ao experimentalismo psicodélico. Liste todas as bandas e observe as milhões de vertentes existente no movimento. Pra mim, hoje em dia, Stoner Rock tem exatamente o mesmo significado que Rock’n’Roll!
Reincidindo... It’s only rock’n’roll but I like it ;-)
Seguem nossas dicas:
Big Elf
35007
Abramis Brama
Mystyk Krewe of Clearlight
500 ft. of Pipe
Orquesta Del Desierto
M-Squad
Wellwater Conspiracy
Masters of Reallity